Revisto a 05/09/2026 Catarina Sousa · Lagos
Fauna marinha nos jogos e no mar do Algarve: como observar sem tocar
Observar fauna marinha sem tocar é ficar quieto a meia água, a uma distância que o animal aceita, sem o perseguir, alimentar ou apanhar. Os jogos de fundo do mar ensinam quase sempre o gesto oposto, e é por aí que esta página começa.
−5 m: nos jogos, tudo se apanha
No Fishdom há uma rapariga numa praia com uma rede de cabo comprido, dezenas de peixes-palhaço à volta e uma pilha deles às costas. No Ocean Match 3 um peixe-palhaço aflito está preso atrás de grades e um tubarão desenhado espera do outro lado. No Hungry Shark Evolution os mergulhadores são presa, e o jogo tem PEGI 16.
O Treasure Diving é o mais simpático e o mais estranho. Tem uma mergulhadora vestida de socorrista, com prancheta e cruz vermelha, junto a uma cria de foca com um penso, e uma imagem chamada «santuário» onde se juntam polvo, peixe-leão, nautilus, cavalo-marinho, tartaruga e caranguejo. No mesmo chão aos quadrados estão um ornitorrinco e um bicho de espinhos que parece uma equidna, dois animais que não vivem no mar.
Nenhum destes jogos faz mal a ninguém. Só que o gesto de estender a mão fica.
−12 m: no Algarve, olhar de longe
Na Ria Formosa vivem duas espécies de cavalo-marinho. O de focinho comprido é o mais comum; o de focinho curto aparece, segundo quem os conta, um para cada dez do outro, na melhor das hipóteses. Em 2022 foram libertados ali cavalos-marinhos de focinho curto para ajudar a população. Quando vejo um agarrado a uma erva, fico parada a um palmo de distância e deixo que seja ele a mexer-se.
Mais a oeste, entre a Lagoa e a marina de Albufeira, fica desde 2024 o Parque Natural Marinho do Recife do Algarve, na Pedra do Valado. Dentro dele há uma área de reserva integral, onde não se desenvolvem atividades humanas regulares.
Os números abaixo são da CCDR Algarve e da Visão.
- Área do parque
- 156 km²
- Até à batimétrica
- 50 m
- Espécies identificadas
- 889 / 1294
- Com estatuto de proteção
- 24
- Reserva integral
- 4 km²
- Focinho curto na Ria Formosa
- 1 para 10
−5 a −30 m: os bichos que os jogos põem no ecrã
| Criatura | Jogo | PEGI | Género (idle/puzzle/ação) |
|---|---|---|---|
| Peixes-palhaço apanhados à rede | Fishdom | 3 | Puzzle |
| Peixe-palhaço preso atrás de grades | Ocean Match 3 | 3 | Puzzle |
| Cria de foca com um penso | Treasure Diving | 3 | Idle com expedições |
| Peixe-leão, polvo e ornitorrinco | Treasure Diving | 3 | Idle com expedições |
| Narval de colete salva-vidas | Hungry Shark Evolution | 16 | Ação |
| Golem de lava e aranha em âmbar | Deep Town | 7 | Idle |
PEGI segundo a Google Play, a 05/09/2026. Criaturas descritas a partir das imagens oficiais; o género é classificação minha.
−8 m: seis erros de quem começa a observar
Cometi alguns. Todos se veem de fora, mesmo por quem nunca mergulhou.
- Tocar num polvo para ver se é mole.O polvo muda de cor, encolhe-se e foge para a toca. Quem vem atrás já não o vê.
- Seguir um cardume.Os peixes abrem-se e fecham-se longe, e o mergulhador fica a respirar depressa, a gastar ar.
- Ajoelhar-se no fundo.Levanta-se uma nuvem de areia, a água fica leitosa e as fotografias dos outros ficam estragadas.
- Levar pão para atrair peixes.Junta-se um enxame de peixes a morder e o resto do mergulho gira à volta disso.
- Virar pedras e deixá-las viradas.O que vivia por baixo fica ao sol e à vista de quem o come.
- Trazer uma concha vazia.Algumas servem de casa a outros animais, e a areia fica sem ela.
Marca 05/09/2026: o que sei e o que vem de fora
Não sou bióloga. As contas dos cavalos-marinhos e da Pedra do Valado são de quem os estuda e vêm com ligação. Os erros da lista são meus e de quem mergulhou comigo. As criaturas da tabela saem das imagens oficiais dos jogos, vistas uma a uma.
0 m: viu um cavalo-marinho e não lhe tocou?
Conte-me onde foi, sem coordenadas. Gosto de saber que continuam por cá.
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