Revisto a 05/09/2026 Catarina Sousa · Lagos
Como encontrar artefactos raros em jogos de mergulho, e porque no mar real ficam onde estão
Nos jogos de fundo do mar, os artefactos raros aparecem por quatro caminhos: expedições com a ferramenta certa, escavação cada vez mais funda, construção de uma base que desbloqueia ruínas e níveis de puzzle que pagam em tesouros. No mar do Algarve o caminho é outro, e está escrito na lei: quem encontra um objeto antigo avisa em 48 horas e deixa-o ficar.
−18 m: artefactos por expedição
O Treasure Diving: Mystery Quest é o que mais fala de artefactos. A editora anuncia mais de 500 para encontrar, mais de 100 expedições e coleções de tesouros únicos. As imagens mostram onde se procuram: ruínas com runas, um templo egípcio com estátuas, um salão vermelho com lanternas e uma pedra circular com símbolos no fundo.
Uma das imagens junta um explorador de óculos de aviador a segurar um cristal roxo. Outra põe seis ferramentas em bolhas à volta de um submarino. A leitura mais segura é esta: cada achado está atrás de um obstáculo, e cada obstáculo pede uma ferramenta.
−20 m, devagar: uma imagem lida linha a linha
Faço com as imagens dos jogos o que faço com o computador de mergulho antes de descer: leio tudo o que está no ecrã e só depois tiro conclusões. O exemplo ao lado usa a imagem das ferramentas do Treasure Diving.
O que não se vê fica marcado como limite. Serve para qualquer jogo desta lista.
ENTRADA imagem «Treasures of the deep», Treasure Diving
VÊ-SE 6 bolhas: pá, picareta, tesoura de podar,
ecrã de radar, escavadora amarela,
peça metálica com engrenagem
2 mergulhadores, 1 submarino com garra,
1 roda de leme presa em coral
LIGA-SE pá e picareta = rocha e areia
tesoura = algas e coral mole
radar = procurar antes de cavar
DEDUZ-SE o achado raro está atrás do
obstáculo que pede a ferramenta rara
LIMITE a imagem não diz quanto custa cada
ferramenta nem quantas se gastam
−1000 m: cavar até à história
No Deep Town não há mergulho, há perfuração. A Game Veterans resume a parte de achados numa palavra, arqueologia: ao escavar descobrem-se cavernas que contam o passado do planeta e respondem a uma pergunta que o jogo repete, onde estamos. O achado raro aqui é informação, não um objeto para vitrine.
Chegar mais fundo destrava mais história. É o único ponto em que o jogo e a arqueologia real concordam: o valor está no contexto.
0 m: cristais numa ilha
O Atlantis Odyssey fica à superfície. A editora conta que a zona está cheia de ruínas misteriosas e que as oficinas mágicas dos atlantes se restauram com cristais poderosos. Na imagem da base há cristais azuis pousados em cima de fornos de cúpula, o que dá a ideia de que o achado é também peça de construção.
Os achados do Fishdom são pérolas. Numa imagem há pérolas espalhadas pela areia, uma delas cor-de-rosa e maior do que a mergulhadora que a martela.
Pérola, cristal, registo de caverna, artefacto de coleção: quatro tipos de achado em quatro jogos.
De −5 a −1000 m: que achado dá cada jogo
| Tipo de achado | Jogo | Género (idle/puzzle/ação) |
|---|---|---|
| Artefactos de coleção, mais de 500 | Treasure Diving | Idle com expedições |
| Cavernas com a história do planeta | Deep Town | Idle |
| Cristais para restaurar oficinas | Atlantis Odyssey | Idle com construção |
| Pérolas no fundo de areia | Fishdom | Puzzle |
| Chaves a libertar num tabuleiro | Ocean Match 3 | Puzzle |
Segundo as imagens e os textos das editoras na Google Play, a 05/09/2026. O género é classificação minha.
−30 m no mar real: porque o achado fica no fundo
Quem mergulha ouve, mais cedo ou mais tarde, a história de alguém que viu uma âncora velha no fundo. A lei portuguesa é clara sobre o que se faz a seguir, e é diferente de tudo o que os jogos ensinam.
-
No jogo: o que se encontra vai direto para a coleção.
No mar: quem encontrar testemunhos arqueológicos, também em meio submerso, tem de dar conhecimento em 48 horas à administração do património cultural ou à autoridade policial.
-
No jogo: escavar é o que qualquer jogador faz.
No mar: escavações e prospeções arqueológicas, também subaquáticas, são dirigidas por arqueólogos e precisam de autorização.
-
No jogo: quem acha fica com o achado.
No mar: a descoberta fortuita de bens arqueológicos móveis com valor comercial dá ao achador direito a uma recompensa, nos termos da lei. O objeto não passa a ser dele.
-
No jogo: um navio afundado é cenário vazio.
No mar: em 2013, menos de um ano depois de ir ao fundo em Portimão, o porão do Zambeze já tinha lulas de grande tamanho.
-
No jogo: o ouro e os cristais brilham no fundo.
No mar: a água absorve primeiro os vermelhos, os laranjas e os amarelos. Em profundidade, o dourado só aparece com lanterna.
Marca 05/09/2026: com o que escrevi esta página
Li os artigos 77.º e 78.º da Lei n.º 107/2001 no texto publicado no Diário da República e vi as dez primeiras imagens de cada jogo. Não sou jurista. Se um dia vir alguma coisa antiga no fundo, faço o que o artigo 78.º manda e deixo as dúvidas para quem decide.
Não indico, nesta página nem noutra, sítios com objetos antigos no mar.
0 m: um achado num jogo que eu não vi?
Se um destes jogos esconde um tipo de artefacto que as imagens não mostram, conte-me qual é e onde aparece.
[email protected]Só por correio, sem formulários. Resposta em até quatro dias úteis.