Revisto a 05/09/2026 Catarina Sousa · Lagos
Jogos de mergulho e tesouros para telemóvel, arrumados como uma descida
Seis jogos Android levam o ecrã para debaixo de água ou para dentro da rocha: Atlantis Odyssey, Ocean Match 3, Fishdom, Treasure Diving, Hungry Shark Evolution e Deep Town. Pus cada um na profundidade que as imagens sugerem, ao lado dos números do mar verdadeiro.
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0 m: um navio a arder visto de cima
O Atlantis Odyssey abre com um naufrágio à tona. Um navio de madeira arde, uma mulher está deitada numa jangada, um homem agarra-se a ela e há barbatanas a rodar à volta dos dois. Depois desta imagem ninguém volta a descer: a aventura passa para uma ilha com horta, fornos, cristais azuis e ruínas de pedra.
Gosto de começar aqui porque é onde começa qualquer mergulho, na superfície, com o barco ainda a balançar.
PEGI 7, «Violência ligeira». A ilha está na página do Atlantis Odyssey.
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−5 m: onde a luz ainda chega
Até aos cinco metros o mar tem cores de postal, e os dois puzzles vivem nessa água. No Ocean Match 3 há um peixe-palhaço fechado atrás de grades, um tubarão desenhado e um relógio a marcar 00:10. No Fishdom dezenas de peixes-palhaço nadam soltos em água rasa de praia, à volta de uma rapariga com uma rede.
Os vermelhos e os laranjas destes jogos são os primeiros a desaparecer no mar a sério. A NOAA explica que a água filtra depressa as cores de menor energia, vermelho, laranja e amarelo, e deixa passar o azul até mais fundo. Um peixe-palhaço a quinze metros, sem lanterna, já parece acastanhado.
Ambos têm PEGI 3.
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−18 m: o primeiro teto de quem tira o curso
Dezoito metros é o limite para que a PADI treina quem tem o nível Open Water, e é mais ou menos a profundidade que o Treasure Diving: Mystery Quest desenha. Há mergulhadores de máscara sobre um chão de lajes, um submarino amarelo e obeliscos com runas. A editora promete mais de 500 artefactos para encontrar. Porque no mar real um objeto antigo fica onde está, explico em artefactos raros nos jogos.
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−30 m: casco, corrente de âncora e dentes
A imagem do Hungry Shark Evolution de que mais me lembro tem um narval de colete salva-vidas à frente de um casco deitado no fundo, com uma corrente de âncora enorme e um mergulhador de arpão. É a paisagem de um naufrágio visitável. Ao largo de Portimão há quatro navios da Marinha afundados de propósito para mergulho, o parque Ocean Revival, pousados entre os 15 e os 32 metros.
No jogo, o mergulhador é comida. O PEGI é 16, com «Violência pesada», e isso importa se houver crianças no sofá.
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−200 m: o fim da luz que conta
Pelo caminho fica a marca dos 40 metros, o máximo do mergulho recreativo com ar e sem paragens de descompressão. Nenhum dos seis jogos a assinala. A cena do cachalote, lá em cima, já pertence a outra zona: segundo a NOAA, raramente há luz significativa abaixo dos 200 metros. No mar verdadeiro, a partir daqui já não desce ninguém de garrafa às costas; no jogo ainda nadam dois, minúsculos, junto aos submarinos.
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−1000 m: nenhuma luz vem de cima
Abaixo dos mil metros a luz da superfície desaparece por completo. O Deep Town não tem água, tem rocha, mas resolve o escuro como a maioria dos animais da zona crepuscular: leva a luz consigo. Os robôs mineiros têm uma lâmpada no lugar da cabeça, as perfuradoras têm olhos acesos e as paredes brilham com veios de lava.
É PEGI 7, com o descritor «Medo», por causa de guardiões como um golem de lava e uma aranha presa numa gota de âmbar. Fecha a descida.
0 a −1000 m: a régua desta página
−5 m durante três minutos: as palavras de quem desce
Ficam aqui explicadas uma vez.
- Paragem de segurança
- Pausa de três minutos a cinco metros antes de subir, para o corpo libertar devagar o azoto absorvido.
- Atmosfera
- A cada 10,06 metros de água do mar a pressão sobe uma atmosfera. Aos 30 metros o corpo está sob quatro.
- Narcose
- Efeito do azoto respirado sob pressão, que turva o juízo em profundidade. Uma das razões dos limites por nível.
- Zona eufótica
- Os primeiros 200 metros do oceano, onde há luz para as algas e o fitoplâncton crescerem.
- Recife artificial
- Estrutura afundada de propósito para a vida marinha se fixar. Os navios do Ocean Revival são um.
- Achado arqueológico
- Objeto antigo encontrado em terra ou debaixo de água. Em Portugal comunica-se em 48 horas e não se leva para casa.
Da superfície a −1000 m, numa tabela
| Jogo | Faixa de profundidade | Criatura | Género (idle/puzzle/ação) | PEGI |
|---|---|---|---|---|
| Atlantis Odyssey | 0 m, naufrágio à tona | Barbatanas à volta da jangada | Idle com construção | 7 |
| Ocean Match 3 | Até −5 m, água clara | Peixe-palhaço e tubarão desenhados | Puzzle | 3 |
| Fishdom | Até −5 m, areia de praia | Cardume de peixes-palhaço | Puzzle | 3 |
| Treasure Diving | Cerca de −18 m, ruínas | Polvo, peixe-leão, cavalo-marinho | Idle com expedições | 3 |
| Hungry Shark Evolution | −30 m até grutas escuras | Tubarão-branco, narval, cachalote | Ação | 16 |
| Deep Town | Abaixo de −1000 m, rocha | Golem de lava, aranha em âmbar | Idle | 7 |
PEGI segundo a Google Play, consultada a 05/09/2026. A faixa e o género são leitura minha das imagens, não números dados pelos jogos.
Marca 05/09/2026: de onde vem cada número
Escrevo sozinha, de Lagos. Não sou arqueóloga nem bióloga: o que sai do jogo e entra no mar real leva ligação para quem o sabe.
- Anoto PEGI, anúncios, compras e datas de cada jogo na Google Play portuguesa, a 05/09/2026.
- Vejo as dez primeiras imagens de cada jogo antes de escrever. Quando a editora repete uma imagem, conto-a uma vez.
- Os números do mar vêm de fontes com ligação, abaixo.
- Não dou notas, não faço listas de melhores e não recebo dinheiro de nenhuma editora.
- Não digo quanto dura uma partida nem quantos anúncios aparecem. Isso mede-se a jogar muitas horas, e não o afirmo.
0 m: de volta ao barco, com uma pergunta
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